Eu estava lendo um artigo sobre a influência da mídia social na vida corporativa e um trecho me fez refletir sobre o meu dia a dia na net.  Ele falava entre outras coisas sobre a frase clássica:

“Pense duas vezes antes de desabafar”

Isso não é novidade, eu sei … minha avó já repetia esse mantra.  Na verdade, esse cuidado a gente precisa ter tanto na vida corporativa como na vida social.  Só que quanto mais eu vivo, mais aprendo que as pessoas estão perdendo totalmente o freio ao verbalizar o que lhes vai à mente. Parece que elas tem a impressão (equivocada) de que existem quatro paredes à volta delas, protegendo sua privacidade já que o grupo a que pertencem é fechado ou secreto.  #sóquenão.

E uma das razões pelas quais eu sempre vou agradecer ao Mark Zuckerberg, é pelo fato dele ter criado o Facebook.  Graças a isso eu aprendi muita coisa!  Aprendi por exemplo, que o significado da frase “sem noção” é muito diferente do que no tempo em que eu tentava explicar que não tinha noção de como preparar um peixe à moda capixaba ou não tinha noção de como chegar à casa de alguém que eu nunca tinha visitado antes.

“Quem é sem noção?”

Hoje eu percebo que o universo dos “sem noção” é infinitamente maior.  Noto também que em várias oportunidades eu ajo como tal até que uma alma caridosa percebe que eu escrevi uma bobagem, me avisa e isso me dá a chance de corrigir o texto ou até mesmo de expressar minha opinião de maneira correta.

“E onde estão os sem noção?”

Em vários lugares, começando pela pessoa que lhe manda um convite de amigo, sem nunca lhe ter visto, sem ter nenhum amigo mútuo, e sem sequer uma frase em privado explicando a razão pela qual ela escolheu você, exatamente você, pra dividir o mesmo espaço na rede.  Nada.  Zilts. Ou então aquela pessoa que aceita qualquer pedido de amizade e depois fica reclamando que o Facebook vai invadir a privacidade dela.  Um horror!

Mas ninguém consegue juntar mais pessoas sem noção do que os grupos no Facebook. Esses grupos são imbatíveis! Quer um exemplo de como você, nesse exato momento, pode estar agindo como tal?  Então vamos lá:

Você adora cinema e entrou para o Grupo de Cinéfilos do Tatuapé (SP), aceitando o convite de um amigo que mora no Méier (RJ), que não tem Netflix nem TV a Cabo mas que confessa que de vez em quando entra no YouTube pra assistir um “Piratex”.  Assim que você começa a ler os posts no grupo, percebe que tem vários anúncios de entrega de quentinha à domicílio em Recife (PE) ou de Feijoada em Manaus (AM),  eventos de pagode em Ipanema (RJ), fotos (muitas fotos) da mulherada que foi à festa de aniversário da filha da pessoa que criou o grupo, pedidos de donativos para ajudar um tiozinho  que mora na Guatemala mas que é pai adotivo da irmã da pessoa que criou o grupo e portanto merece ajuda monetária pra comprar uma moto porque o carro dele quebrou, etc.

“O que devo fazer?”

Bem, se você decide continuar no grupo, você já é sem noção, claro.  Mas mesmo que você resolva sair daquele grupo nada a ver, você continuará sendo um sem noção pro resto da sua vida!  “Como assim, Vera?”  Sim, porque na verdade se você fosse um cinéfilo de carteirinha morando no Tatuapé, você jamais teria aceito o convite do tal amigo que mora no Méier, pelo simples fato de que você sabe que ele vive lhe adicionando a grupos “nada a ver”. Então você precisa dizer a ele pra parar. Se não o fez até agora, você é tão sem noção quanto ele!

“Mas o Orkut também era cheio de sem noção …”

Orkut(argh!)”  Eu sei … mas o Orkut era brincadeirinha de adolescente ou das Vovós feito eu,  minha gente… Era o espaço preferido dos GIF’s ou das mensagens cheias de purpurina digital que ficavam brilhando, tipo as do Dia das Mães ou dos Namorados.  Eram cafonas mas até que eram lindinhas.  Ou como diz uma amiga minha: aquelas mensagens até que nem eram horríveis…

Só que no Facebook o buraco é muuuuito mais embaixo!

Ontem, por exemplo, me avisaram que num determinado grupo ao qual fui adicionada e nem tinha percebido, e do qual ainda não saí porque também sou sem noção, estava rolando um barraco só porque outra sem noção escreveu uma mensagem que talvez tenha brotado do fundo do peito, num momento raro e supremo de inspiração, na qual lascou meia dúzia de erros crassos de português.  Detalhe: era um grupo de “amigas”. No momento em que li,  havia mais de 250 comentários.  Hoje ainda nem fui olhar.  As trocas de ofensas entre algumas daquelas “amigas” eram de fazer inveja a qualquer grupo com grande concentração de “inimigas”.   E o mais engraçado é que uma das regras do Facebook é clara: se o grupo é secreto, compartilhar os posts com pessoas que não são do grupo não é permitido, porém o screenshot da mensagem infeliz da pobre moça rolou em vários grupos.

Mas como eu disse no início: essa é apenas uma das razões pelas quais eu sempre vou agradecer ao Mark por ter feito desse veículo um espelho gigante que nos mostra a realidade nua e crua sobre as nossas próprias personalidades. O Facebook, na verdade, é o melhor amigo do nosso analista ou do nosso coach.

Porém, apesar desse exercício diário, por mais que tentemos nos portar de uma forma diferente da que realmente somos, talvez com a ilusão de que conseguiremos enganar nossos seguidores,  em algum momento acabaremos escorregando num desabafo por não termos pensado duas vezes antes de apertarmos a tecla de publicação.

Ah, e por falar em Inimigas, diga-se de passagem que até hoje, que eu saiba, ninguém criou um grupo com esse nome, apesar de que elas – as inimigas – volta e meia aparecem em outras dezenas de grupos trocando beijinhos e gentilezas.

Eu me divirto …


 

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