Ouvir música para combater o estresse
Ouvir musica para combater o estresse

Pesquisas recentes têm mostrado que ouvir música ajuda a relaxar e descansar. Alguns experimentos em que um grupo de pessoas tenta descansar no silêncio, e outro relaxa ouvindo música, comprovaram que os que tiveram a oportunidade de ouvir música descansaram mais do que os que não ouviram. Além disso, há muito já está comprovado que a música, principalmente a clássica, tem o poder de acalmar, de estimular a criatividade e a concentração, e ainda de ajudar na cura de muitas doenças. Uma das razões é porque a música é capaz de mudar a frequência das ondas cerebrais, e deixá-las num estado semelhante ao de quem medita.

Realmente ouvir música é sempre um prazer. Deveríamos aumentar esse hábito em nosso dia a dia, e aproveitar para conhecer mais músicas e diferentes repertórios. Mas nem sempre sabemos o que estamos ouvindo, isto é, o que tem dentro de cada música, como ela está construída e quais os pontos de interesse que se pode perceber fazendo uma escuta concentrada e dirigida. Seguramente, ao desvendar o que está escondido, a satisfação em ouvir é ainda maior.

Alguns tipos de música, como a clássica, pela carga cultural que traz dentro de si, costumam dar medo e causar algum tipo de resistência nas pessoas. Muitos sequer querem ouvi-la por pensar que não vão entender nada, e ela é, por vezes, considerada enfadonha, e a pessoa acaba se privando de ouvi-la. Talvez ela pareça entediante porque o ouvinte não conhece os códigos básicos para decifrá-la e conseguir entender e gostar dela. Quem já teve a oportunidade de experimentar, sabe como a música clássica pode ser de fácil entendimento e ajudar efetivamente a relaxar. Sabe também que, para desfrutar a música ou qualquer outra forma de arte é preciso, antes, se familiarizar com essa linguagem.

Há também quem pense que, sem conhecer a teoria da música, sem saber ler uma partitura, não se pode apreciar e conhecer a música clássica. Mas isso não é verdade. Toda e qualquer música pode ser muito bem entendida e apreciada apenas sendo ouvida. Basta a pessoa se dar a oportunidade de se concentrar na música, de prestar atenção em alguns detalhes, de compreender certas estruturas e elementos que a compõem para que esse conhecimento se abra diante dela, e passe a gostar e aproveitar prazerosamente desses momentos.

Antes de tudo é preciso compreender que a música, seja ela clássica ou não, é fugaz. Ela passa no tempo, e o que foi não volta mais. Por outro lado, nossa memória tem suas limitações, e, se ouvirmos uma música uma única vez, certamente não conseguiremos lembrar muita coisa dela, talvez nem ao menos reconhecê-la ao ouvirmos novamente em outra ocasião. Por isso, se a pessoa quer conhecer e se lembrar de uma música, precisa ouvi-la várias vezes.

É o que acontece com as músicas veiculadas na mídia: tanto elas tocam que acabamos aprendendo sua melodia, reconhecendo quando ela toca e, em algumas ocasiões, até sabendo repetir e cantarolar alguns trechos. Isso tudo sem nem ao menos se dar conta do que está acontecendo, sem fazer esforço algum, só pela sua insistente repetição.

Assim também se deve fazer com uma música que se queira conhecer: ouvir, ouvir e ouvir muitas vezes. Não dá para se iludir pensando que ao ouvir uma só vez uma obra já se consiga conhecê-la, reconhecê-la, detectar seus elementos, repeti-la. A mesma peça tem que ser ouvida muitas e muitas vezes.

No entanto, melhor do que apenas ouvir uma música várias vezes, é ouvir conscientemente, prestando atenção aos seus detalhes, à sua estrutura, aos instrumentos que tocam. Como dificilmente se consegue prestar atenção em todos os detalhes de uma só vez, pode-se observar apenas um aspecto a cada audição da mesma peça, como por exemplo: uma vez são percebidos os instrumentos que tocam, em outra os temas que se repetem, e assim por diante. Dessa forma, a música é ouvida várias vezes, a memória tem como reter as informações, e a pessoa se lembrará dela e de seus detalhes para sempre.

Mas ao iniciar esse processo de audição atenta, é melhor escolher peças simples, de curta duração, de que se goste já na primeira audição. Esses cuidados ajudarão o ouvinte a se familiar aos poucos com a música clássica, e a aprender efetivamente a gostar e apreciar uma boa música, transformando a experiência em algo prazeroso, e despertando a vontade de conhecer sempre mais.

Na verdade, caberia à escola desenvolver nas crianças, desde cedo, os hábitos de escuta e compreensão da música, do deleite e da emoção estética. Entretanto, há muito tempo grande parte delas deixou de cumprir com esse papel. Resta a cada um se entregar, por conta própria, aos prazeres de uma escuta atenta. Tenho certeza que ninguém se arrependerá. E o relaxamento virá.

Bernadete Zagonel é Doutora em música pela Sorbonne – Universidade Paris IV. Foi professora titular da Universidade Federal do Paraná e da Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Tem 28 livros publicados sobre Educação Musical. Atualmente mora em Boca Raton, Florida (USA) e faz parte do quadro de Diretores do Rotary Club of Boca Raton West na gestão 2021-2022. Sua contribuição para o Brasileirinho tem sido valiosa para todos os que amam as artes e em particular o estudo da música. Para contato: Website: www.bernadetezagonel.com.br Facebook: facebook.com/bernadete.zagonel Instagram: @bernadetezagonel

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