Toastmaster não é uma torradeira!

Essa é a resposta que eu dou com mais frequência às pessoas que brincam quando faço referência ao clube que frequento em Boca Raton, o 1st US Portuguese Toastmasters Club.

ToastmastersLogo-ColorConfesso que no início eu não entendia muito bem o motivo desse nome. Mas ao pesquisar descobri que o Toastmasters começou como uma série de clubes de linguagem organizados pelo diretor de educação do YMCA (Associação Cristã de Moços) em Bloomington, Illinois, Ralph C. Smedley.  Ele percebeu que naquela comunidade havia a necessidade das pessoas aprenderem a falar, conduzir reuniões, programas e planos de trabalho nas comissões e resolveu ajudá-los.

Smedley decidiu organizar um clube onde eles poderiam aprender estas habilidades em um ambiente social, e os homens responderam bem ao conceito. Ele nomeou o grupo  “Toastmasters Clube; “toastmaster” era um termo popular que se refere a uma pessoa que levanta um brinde em banquetes e outras ocasiões.

A primeira reunião não oficial foi realizada no dia 24 de março de 1905. Assim como as reuniões que acontecem hoje, os participantes se revezavam fazendo algum tipo de discurso, contando uma história, ou simulando uma apresentação e Smedley juntamente com os homens mais velhos e mais experientes avaliavam os discursos curtos, enquanto os mais jovens eram convidados a participar das avaliações. O clube foi fundado oficialmente em 22 de Outubro de 1924.

Simples, não? Nem tanto…

Porque quando tento explicar o que faço ou aprendo no Toastmasters, as pessoas deduzem imediatamente que meu objetivo é me tornar uma palestrante, uma oradora, uma pessoa que faz discursos por trás de um púlpito para um público seleto. Então eu preciso explicar que não é isso. Que os objetivos de cada sócio do clube são infinitamente diferentes uns dos outros.

O Toastmasters está completando 90 anos e tem suas raízes solidificadas no mundo todo através de 14,650+ clubes, dos quais 8,500+ somente nos E. Unidos. Tem em suas lista nomes de corporações de peso, tais como: American Express, Apple, AT&T, Coca-Cola, Disney, Google, IBM, Johnson & Johnson, Microsoft, Sony e Toyota.

vera-schafer-toastmaster-event-2015Ontem, ao participar de um evento importante aqui em Boca Raton, enquanto assistia as diversas palestras que tive a oportunidade de atender, eu pensava em como essas informações precisavam chegar aos meus leitores do Brasileirinho.com. Pessoas que ao longo desses 26 anos em que resido nos Estados Unidos,  me deram o privilégio de ouvir suas histórias, seus relatos sobre como tentaram realizar o sonho americano e seus exemplos de sucesso.

Mas principalmente, eu lembrava das pessoas que não conseguiram ter o mesmo êxito.

Algumas voltaram para o Brasil e outras ainda estão por aqui, muitas delas aceitando trabalhos alternativos e desperdiçando seus talentos ímpares, porque simplesmente não tiveram a ajuda necessária para desenvolver a habilidade com a qual nasceram ou desenvolveram ao longo da vida e que motivaram sua saída do Brasil em busca do seu sonho. Eu pude ver claramente como aquelas palestras teriam sido de extrema ajuda para tais pessoas.

Paulo Schneider Division C Director District 47 Toastmasters International

Paulo Schneider
Division C Director
District 47
Toastmasters International

O discurso de encerramento, presenteado por Barry Rinehart foi emocionante e eu só tenho a agradecer aos meus colegas Toastmasters e ao Diretor de Divisão, Paulo Schneider que insistiu para que eu lá fosse.

Mas eu quero destacar o discurso do Donald Kelly, que falou sobre como controlar o medo de falar em público.

Aquele medo gerado por crenças que fazem com que pessoas rejeitem veementemente uma oferta de trabalho na área de Vendas por exemplo.

Eu já trabalhei em Call Center e sei o tipo de medo ao qual estou me referindo.

Imaginei empresas que, por não encontrarem mão de obra qualificada, contratam quem não tem medo de se comunicar mas não tem talento algum para falar sobre o que vão vender.  Inevitavelmente Empresa e Funcionário acabarão perdendo mais cedo ou mais tarde. A empresa porque não quis investir em treinamento e o funcionário porque não havia se dado conta de quão importante tal treinamento teria sido.

O oposto também é verdadeiro: pessoas que apesar de serem excelentes profissionais, apesar de dominarem totalmente as técnicas que envolvem sua especialidade ou o produto a ser vendido, ou até mesmo a mensagem a ser transmitida para uma plateia específica, são descartadas pela empresa só porque o entrevistador percebe que o candidato tem medo de falar.

Eu só pensava: se naqueles 50 minutos o Donald conseguiu explicar – fazendo menção as mesmas técnicas de PNL (Programação Neurolinguistica) –  as quais começo a entender graças ao trabalho que o meu “Coach” Daniel Lencioni está realizando na minha vida pessoal e para a minha empresa – imaginem o que ainda tenho de valioso  para aprender usando todas essas ferramentas?

E mais: como isso pode me ajudar a fazer a diferença na vida de muitas pessoas? Pode sim … e muito!

Imaginem por exemplo, quantas pessoas podem estar agora mesmo participando de um evento social onde o Donald se encontre, e após um simples bate-papo saindo de lá com sua auto estima nas nuvens e prontas para trabalhar num Call Center? Será que ele fez discurso para mudar a vida daquelas pessoas? Claro que não!  Ele simplesmente sabe conversar no tom correto, com a linguagem corporal correta e empregando o vocabulário perfeito.  Só isso!

Eu acredito que no início  o Toastmaster foi decisivo para a carreira do Donald …

A cada detalhe que me era explicado, eu conseguia visualizar situações idênticas na vida real dos meus pares.  Por isso pensei em dividir minha experiência aqui no blog, porque estou convencida de que esse é um tema de extrema  importância para quem quer abrir um negócio ou para quem quer se candidatar a qualquer cargo numa empresa. Fiz várias anotações, anotei muitas dicas importantes, as quais vou organizar para a Parte II desse artigo.

E a frase que fica é:

“Se você tiver necessidade de alguma coisa e eu tenho uma solução, é minha obrigação moral  falar sobre isso”. Donald C. Kelly

Breve falarei mais (e não será um discurso) sobre o Toastmaster.  Até a próxima!