As consequências da falta de sono podem ser facilmente sentidas pela maioria das pessoas que sofrem com isso. Mas, mesmo para quem não tem aquele cansaço no dia seguinte, as consequências podem ser bem prejudiciais.

Noites mal dormidas, ou aparentemente bem dormidas, mas curtas, estão relacionadas a algumas enfermidades graves. Alguns estudos mostram que um período insuficiente de sono está ligado ao aparecimento de diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares. O que existe de novidade nesses trabalhos é o fato de que essas doenças estão relacionadas as alterações de ingestão de alimentos que a falta de horas de sono pode trazer.

As pesquisas mostram que as pessoas que dormem poucas horas por noite têm uma ingestão alimentar maior, com mais energia durante o dia. Essa ingestão maior de energia ocorre por uma maior ingestão de gorduras, menor ingestão de frutas e menos qualidade na alimentação em geral. A diminuição da ingestão de fritas está também ligado a menor ingestão de vitaminas, já que são as frutas quem mais fornecem esses nutrientes.

Infelizmente os danos não param por aí. Pessoas que dormem menos também mostram que não tem uma alimentação em horários regulares. Pulam as refeições com mais facilidade, alimentam-se mais facilmente de alimentos de menor qualidade e menor energia durante o dia e à noite de alimentos que sejam mais palatáveis e com grande quantidade de energia. Com isso há também o aumento do desenvolvimento da obesidade.

Os mecanismos que constituem essas mudanças de comportamento são provavelmente hormonais e complexos. Como já é sabido, alguns hormônios têm a sua regulação por meio do número de horas que a luz que incide nos olhos. Com menos horas no escuro, a regulação desses hormônios fica alterada levando a esses transtornos alimentares.

Muito mais fácil que entender ou alterar esses mecanismos, é sem dúvida promover um maior período de sono para que tudo isso não se desenvolva. Alguns hábitos adquiridos podem contribuir para um menor período de sono como o uso de celulares e tablets na cama, antes de dormir. Assim como alguns hábitos podem aumentar o possível período de sono, como organizar o jantar para que não demore a ser preparado. Uso de alimentos ricos em triptofano, um aminoácido presente no leite (no leite de amêndoas também), que facilita adormecer. Evitar atividades que preocupem e estressem horas antes de ir para a cama e sem dúvida a prática de exercícios físicos regulares. Tudo isso, sem dúvida é mais fácil e mais simples que tratar todas essas enfermidades.

Short sleep duration and dietary intake: epidemiologic evidence, mechanisms, and health implications. Adv Nutr. 2015 Nov 13;6(6):648-59. doi: 10.3945/an.115.008623. Print 2015 Nov. Dashti HS1, Scheer FA2, Jacques PF3, Lamon-Fava S4, Ordovás JM5.