“Gostaria de saber como foi o seu processo, de como conseguir ser uma ex-gorda.  Acredito que eu deva trabalhar o meu psicológico. Mas não sei o caminho a seguir para ter forças para acabar com esse mal em minha vida.  Acho que até existam gordinhas felizes, mas eu não, me culpo por não mudar essa condição. É algo que só eu posso fazer.”

Recebi o comentário acima e gostaria de aproveitar para respondê-lo neste artigo, uma vez que, acredito, também possa ser útil a outras pessoas.

Particularmente gosto muito de biografias, tanto em livros como em filmes, de pessoas que conseguiram superar situações difíceis, desafiadoras. Gosto de saber e conhecer como viviam à época das dificuldades, mas, principalmente, como foi o momento da virada, quando decidiram mudar de rumo, de vida. Esse é o ponto chave … é aí que a história mais interessante, a meu ver, começa.

O meu processo de emagrecimento (e a manutenção dele) está em cada texto que eu publico. Mais do que teoria, escrevo sobre a minha prática do dia a dia, o que aprendi e aprendo a respeito do assunto. Porém, costumam me perguntar sobre o momento da virada e houve sim um que tem relação com o comentário acima citado. Lembro-me que estava no limite de meu peso e sofrimento. Pra mim eu tinha chegado ao fundo do poço, não agüentava mais a guerra interna de cada dia: de um lado queria comer tudo o que achava gostar, de outro ansiava por emagrecer e me sentir confortável dentro de mim mesma… Estar dentro de mim havia ficado insuportável.  Então, pensei “desisto, chega de querer emagrecer, vou ser gorda e feliz, deve ter quem seja gorda e feliz”.

Mas, no meu caso, na minha experiência pessoal, veio uma voz em minha mente que disse “não se contente com menos do que pode ser e ter”.  Não é que não possamos ser felizes gordos, penso que seja possível sim, claro, mas cada um é cada um e para mim eu sabia que me sentiria melhor magra.  E mais:  lá no fundo eu sentia que seria capaz de emagrecer quando assim realmente quisesse. E foi o que aconteceu. A partir do momento que o meu querer ser magra foi maior do que qualquer outra coisa, pude iniciar a mudança de rumo. Esse querer foi é o meu combustível para todo o processo e manutenção do emagrecimento, principalmente por saber que posso ser magra sem ter de me privar de nada. Não é esforço, não é sacrifício, não é sofrimento, é querer realmente algo e se beneficiar disso. É aproveitar para desfrutar o caminho em busca do emagrecimento e não só a chegada.

Tem uma frase de Viktor Frankl, psiquiatra e psicólogo austríaco, que gosto muito: “Quem tem um ‘porquê’ enfrenta qualquer como”.

Enquanto o benefício de estar acima do peso for maior do que o de emagrecer, o emagrecimento estará mais longe de ser uma realidade. Pode parecer que não, porém nos beneficiamos em estar com os quilos a mais. Se não tivéssemos nenhum ganho, nenhum benefício, então já teríamos emagrecido, não é mesmo?

E você? O que poderá fazer com que dê o primeiro passo para a sua mudança de rumo? O que é capaz de movê-lo aí dentro de você para que decida definitivamente emagrecer?

Forte abraço!