O volume de informação que atola nossas caixas de entrada, chegou num patamar que torna absolutamente impossível assimilarmos tudo que precisamos ler, aprender, colocar em prática, e que dirá passarmos adiante. Isso é fato.

Entretanto, isso não justifica nossas crises de relacionamento e muito menos surpresas com atitudes de outros seres humanos, sejam eles familiares, amigos ou colegas de trabalho. O que nos impede de acharmos a informação que queremos é a preguiça. E não me refiro a preguiça física de levantarmos a bunda da cadeira, sentarmos em frente ao computador e pesquisarmos no Google. Me refiro à preguiça de termos coragem de enfrentar uma realidade que está na nossa frente mas que nos recusamos a admitir que exista ou que não temos a capacidade de controlar.

Um exemplo clássico disso é a forma como nos relacionamos com pessoas que dão sinais claros de que são psicopatas. Quando a relação é amorosa, nossa tendência inicial é de nos deixarmos levar pelo lado bom da paixão até que ela passa e só então tentamos sair de mansinho. Essa ruptura nem sempre acontece sem deixar marcas dolorosas. Quando familiar, principalmente de pais pra filhos ou vice versa, um sempre acha que vai conseguir “curar” o outro e só mesmo a coragem e o envolvimento de mediadores pode ajudar-nos a ver o que teimamos em não aceitar, ou seja, que todo mundo tem defeitos e que a vida não é como nos comerciais de margarina na tv. A gente só precisa aprender a lidar com isso.

Mas quando se trata de lidar com amigos ou colegas de trabalho, aí já não temos desculpa. Aí já não se aceita a desculpa da emoção no coração nem do sangue que corre nas veias. Aí nós convivemos com essas pessoas por puro interesse, justificável ou não, mesmo sabendo que estamos correndo um risco altamente desnecessário.

“Psicopata”: a simples menção dessa palavra nos assusta, porque crescemos vendo essa representação nos livros e filmes aliada a assassinos em série ou pessoas que cometem crimes hediondos, quando na verdade uma simples pesquisa nos mostra que podem ser apenas pessoas que não conseguem discernir emoções e portanto podem ser encontradas entre gente bem sucedida, que não desperta suspeitas, tanto na política quanto em grandes empresas e até mesmo em instituições religiosas. Elas não vem com uma placa na testa dizendo: “sou psicopata”, mas no fundo, no fundo, nós sabemos muito bem quais são as características que as identificam como tal.

Em geral, são seres extremamente frios e egoístas. Tratam os outros como objetos. Não entendem o significado de “bem comum”. Se estiver tudo bem pra eles, então estará tudo bem. São mentirosos compulsivos. Adoram uma fofoca, principalmente a que joga uns contra outros. São charmosos e inteligentes. Sentimento de culpa é algo que não sentem pelo que fazem. São capazes de dizer que sentem remorso mas isso é só da boca pra fora. Usam frases de efeito para demonstrar sentimentos e atingir pessoas de boa fé. Os outros estão sempre errados mas eles, nunca.

Pessoa que dá provas contínuas de ausência de empatia, que só liga pra você pra pedir alguma coisa. Ou pra reclamar que está com algum problema. Experimente fazer o mesmo e observe a atenção que ela dispensa ao seu pedido ou à sua reclamação? É a mesma que você sempre dispensa à ela?

E aquela outra que durante uma reunião de amigos na sua casa parece distante o tempo todo – não demonstra interesse pelo papo que está rolando, não interage seja qual for o assunto abordado mas se transforma completamente e domina a atenção de todos quando o assunto de alguma forma parece lhe favorecer pessoalmente, principalmente no mundo dos negócios? Não estou falando em capacidade de entender o que está sendo conversado, mas empatia que pode ser demonstrada apenas com o olhar silencioso de quem prefere ficar calado pra não falar bobagem.

Imagino que assim como eu, se você conseguiu ler até aqui, já começou a pensar naquele fulano ou fulana, que tem exatamente essas características. Ou será que se identificou como sendo o próprio? Pois então continue lendo.

Recentemente descartei uma dessas pessoas da minha vida. Primeiro porque as informações que eu nem pedia mas que chegavam até mim, eram de fontes absolutamente confiáveis. Depois foi só começar a juntar a colcha de retalhos: observei uma necessidade exacerbada de mostrar seu lado generoso, que se explica como alguém que o faz por possuir sentimento de possessividade e não por carinho, só para satisfazer seu próprio prazer. Necessidade de explicar o inexplicável, já que comete atos sabidamente não aceitos pelos seus comuns. Tem a capacidade de dizer coisas contraditórias olhando nos olhos de outra pessoa e tem uma imaginação super fértil. Não tem o menor problema em admitir que faz ou vai fazer algo que possa prejudicar alguém por puro prazer. Não tem coração. Nunca terá.

Sabe-se que não existem tratamentos comprovados nem remédios que façam efeito, mas tudo isso não quer dizer que essas pessoas devam ser punidas pois possuem plena consciência de que seus atos não são corretos. O que se deve ter é consciência de que certas pessoas podem não ser confiáveis ou ser quem esperamos, além de ficarmos atentos a esses sinais claros e próprios dos psicopatas.

O ruim dessa história é que, como nada disso é punível por lei – a não ser a própria acusação sem provas se você tiver a coragem de fazê-lo – quem está de fora fica de pés e mãos atados porque não tem como alertar alguém sem correr o risco de ser mal interpretado ou julgado erroneamente. Creio que a melhor forma de se alertar amigos é sugerir sutilmente que façam uma análise de qualquer pessoa que possa ter despertado qualquer sombra de desconfiança e portanto talvez seja melhor manter o doido ou doida na diagonal. Nunca se sabe o tamanho do perigo que essas pessoas podem causar a nós ou àqueles que nos são caros.