A Cidadania Italiana – do sonho à realidade
A Cidadania Italiana

Esta é minha história.

Desde adolescente sempre tive curiosidade sobre minha etnia ― quem sou eu? Como brasileira, provavelmente uma mistura de europeu, indígena e africano.

Meu pai, foi o caçula de 13 filhos. Seu pai faleceu quando ele tinha 6 anos. Pouco sabemos da sua família, somente que minha avó era caiçara do litoral paulista e meu avô, pelas fotos, tinha descendência europeia.

Os avós da minha mãe nasceram na Itália. Minha mãe foi criada pela seus avós maternos, Annunciata e Pasquale. Quem viveu no “antigamente” sabe que criança não participava de conversa de adultos, portanto, tanto minha mãe quanto minha tia tinham algumas lembranças das conversas entre as comadres e amigos. Sempre me fascinou visitar meus avós maternos, Armanda e Carlos, no bairro do Bexiga, em São Paulo. Era a nossa pequena Itália , onde nos comércios os donos ou seus descendentes eram italianos, assim como a clientela.

Muitos anos depois, lá por 2014, conversando com meu irmão caçula, que morou na Itália quando tinha uns 18 anos, ele comentou sobre a possibilidade de ter a nossa cidadania italiana reconhecida. Ele estava procurando informações e indicou uns vídeos no YouTube, do Fábio Barbiero. Se me lembro bem, foram umas 15 aulas que se tornaram a base de todo o meu processo. Foi com ele que entendi o que era necessário fazer para apresentar os documentos e ter o reconhecimento da cidadania. O Fábio foi didático; explicou passo a passo todo o projeto. Nesse momento é que começou o sonho.

Fábio Barbiero, hoje, oferece vários cursos, é só procurá-lo tanto no YouTube, Facebook, Instagram, como em outras redes sociais. Não gastei um Real e aprendi muito. O curso me proporcionou as instruções para montar meu processo. Não é fácil, nem barato, ou sem barreiras. Tive de fazer tudo para que esse sonho se tornasse realidade. O importante é não desistir. Ah, sim, o Fábio não me patrocina e acredito que cada um deve procurar seu próprio caminho. Algumas regras/leis mudaram, portanto, é bom se atualizar.

O meu processo começou com o meu antenato (antepassado) Antonio, meu bisavô que veio para o Brasil, saindo de sua cidade, Tramutola, em Basilicata, onde nasceu em 1853, primeiramente de passagem. Ele acompanhava sua mãe, que, viúva, estava indo morar com uma irmã em Buenos Aires. O navio fez uma parada no Rio de Janeiro e continuou viagem para Argentina. O Rio, porém, encheu os olhos do Antonio de beleza e, uns dois anos depois, ele regressou ao Brasil definitivamente. Ele conheceu  Helena, que era 13 anos mais nova do que ele, no porto do Rio. Helena, com 13 anos, e sua mãe  vieram de Viggiano, uma cidade vizinha à Tramutola,   à procura do marido que veio para o Brasil e desapareceu. Acredito que Antônio e Helena  tenham “se casado” por volta de 1879. Porém o primeiro documento que encontrei  foi do casamento religioso na Catedral da Sé em São Paulo em 1889, quando já tinham vários filhos.  Meu avô Carlos, filho deles,  nasceu em Santos em 1897.  Antônio era músico e mais tarde se tornou maestro, tendo se apresentado para Dom Pedro I.  A maior parte das suas vidas eles moram no estado de São Paulo, depois em Santos, onde faleceu, já idoso.

Tive a grande sorte de ter um sobrenome sem muitas variações, TEDESCO, que evitou retificações. Preste atenção na variação do seu sobrenome. A tendência é se abrasileirar, ou fazer algumas modificações, como o do Fábio Barbiero, que originalmente era Barbieri. As retificações parecem inevitáveis nesse caminho. Por exemplo, meu avô registrou minha mãe somente com o primeiro nome, e sem sobrenome (?). Como ela passou uma vida inteira com esse registro errado? Coisas que acontecem e têm devem ser corrigidas.

A princípio, o meu processo parecia simples. Apresentar a Certidão de Nascimento do meu antenato, que nasceu na Itália, juntamente com a Certidão de Casamento, Certidão Negativa de Nacionalização e Óbito. A seguir, de Nascimento, de Casamento e de Óbito, se for o caso, do meu avô, minha mãe, minha e dos meus filhos. Todas as certidões de Inteiro Teor, traduzidas para o italiano e apostiladas. Estavam todos os documentos perfeitos, perfeitos? Não! Alguma coisa passou, como a tradução de Giambattista para João, na Certidão de Óbito do Antonio.

Apresentei meus documentos, juntamente com meu filho e minha neta (maior de idade) ao Consulado Italiano, em Miami. Você fica no limbo, porque eles não dão updates. Depois de 1 anos e 2 meses, finalmente recebemos um e-mail reconhecendo a cidadania. O melhor disso tudo foi o desafio, a conquista, o sonho se tornando realidade. Esse é um legado que deixo para meus filhos e netos.

Cecilia Johnson é paralegal e fotógrafa amadora, retratando a beleza do deserto. Atualmente, morando no Arizona com sua família. Visite o Instagram @turistandovirtual.

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