Venho há anos participando de painéis de entrevistas ou mesmo contratando para meu time. Revisar currículo (ou resume) é uma tarefa entediante pois as vezes é muito claro quando não houve um cuidado em prepará-lo ou não houve uma tentativa do candidato de promover-se adequadamente.

Muitos na área de design e artes começaram a adotar formato de infográfico para seus currículos, o que eu particularmente acho genial! Porém ainda é muito comum a prática do formato clássico para a maioria das pessoas. Só é preciso ter cuidado para evitar certos erros que possam demonstrar que o candidato ainda não assimilou a cultura corporativa americana.

Aproximadamente 20% dos currículos que eu reviso são de brasileiros. É fácil perceber que são patrícios pelo nome, empresas onde trabalharam no Brasil ou idioma que falam. Os erros mais graves que percebo são:

1) Mencionar estado civil e número de filhos

Entendo que isso ainda é comum no Brasil, apesar também de saber que já estão deixando esse costume, porém muitas empresas nos Estados Unidos podem te excluir no processo seletivo caso você coloque essa informação. Jamais coloque dados pessoais pois o empregador não pode arriscar ter escolhido você por um dado pessoal. Nunca, jamais envie uma foto sua junto com o currículo. Empregadores que conhecem as leis e regras do Equal Employment Opportunity automaticamente irão te desclassificar para não parecer que te escolheram pela cor da sua pele, idade ou gênero.

2) Ressaltar que falar Português é a sua habilidade mais importante

A não ser que sua profissão seja de tradutor, saber falar Português é uma destreza secundária. Não adianta só saber falar idiomas estrangeiros, é preciso ter “skills” mais importantes e de mais valores para um empregador. Não foque demais no idioma, deixe isso para o final do teu currículo, na sessão “languages”.

3) Não saber traduzir adequadamente o que fez no Brasil

Aqueles que não tem muita experiência trabalhando nos Estados Unidos precisam descrever sua experiência no Brasil. Às vezes não transferem essa experiência para o coloquialismo local. Por exemplo: se a pessoa foi vendedora de roupas em uma loja, a pessoa foi “Retail Sales Associate” e não “Clothes Seller”. Esse erro pode parecer gritante e textual, mas situações bem semelhantes ocorrem com frequência.

4) Referir a Pós-Graduação como “Post Graduation”

Especifique em termos de Masters Degree e não confunda mais ainda falando sobre “lato sensu” ou “stricto senso”. Lembrando que o propósito de um currículo é abrir a possibilidade para uma entrevista em pessoa. Não tente nessa fase educar o recrutador, apenas facilite o processo.

5) Achar que quanto mais informação no currículo, melhor

Currículos de profissionais que tem pelo menos 20 anos de experiência tendem a ter mais de 3 páginas e tendem a mostrar o ano que a pessoa graduou do Ensino Médio. Isso deve ser evitado, pois os recrutadores usam essa matemática para estimar sua idade. Se você tem um bacharelado, seu Ensino Médio é irrelevante. Também evite listar experiências de empregos há mais de 20 anos, pois elas também passam a ser irrelevantes.

Aperfeiçoar seu currículo não é uma tarefa fácil. Não tente fazer isso sozinho, peça opinião de pessoas que estão mais assimiladas com a cultura americana. Se puder, contrate um profissional para revisar o seu currículo. Você deve investir nisso como parte da sua marca pessoal.

Boa sorte!